Poucos sons são tão reconfortantes quanto o ronronar de um gato no colo. Mas o que muita gente não sabe é que esse barulhinho vibrante, produzido pela passagem do ar pela laringe do felino durante a inspiração e a expiração, é uma das formas de comunicação mais complexas do mundo animal — e não significa apenas felicidade. Os gatos ronronam para pedir comida, para se acalmar, para se comunicar com a mãe e até quando estão sentindo dor.
Os filhotes aprendem a ronronar com poucos dias de vida, ainda na fase de amamentação, como uma forma de avisar a mãe que estão bem e vivos. Por isso, muitos especialistas acreditam que o ronronar na idade adulta carrega uma memória de segurança e acolhimento: quando o seu gato ronrona ao seu lado, ele está, de certa forma, revivendo a sensação de proteção que sentia perto da mãe.
O contexto é a chave para entender o ronronar. Um gato relaxado, com orelhas e bigodes soltos, pupilas pequenas e o rabo erguido ou enrolado no corpo, ronrona em sinal de prazer. Mas se o ronronar vem acompanhado de um miado mais agudo perto da hora da refeição, é provável que seja um pedido de comida: pesquisadores descobriram que os gatos misturam o ronronar com um chamado agudo para chamar a atenção dos tutores, explorando a nossa sensibilidade ao choro de bebês.
Os gatos também ronronam em situações de estresse, medo ou dor. Visitas ao veterinário, ambientes novos e momentos de tensão podem ser acompanhados do som, que funciona como uma ferramenta de autorregulação: as vibrações ajudam o felino a se acalmar e a lidar com o desconforto. A frequência do ronronar, entre 25 e 150 hertz, é a mesma faixa usada na medicina terapêutica humana para estimular a regeneração de ossos e tecidos moles — uma espécie de autocuidado ancestral.
E os benefícios não ficam só com eles. Estudos indicam que acariciar um gato enquanto ele ronrona estimula a liberação de oxitocina, reduz os níveis de cortisol, o hormônio do estresse, e pode diminuir a pressão arterial. Pesquisas sobre saúde cardiovascular mostram que tutores de gatos têm menor risco de doenças do coração. Ter um motorzinho ronronando no colo é cientificamente bom para você.
Quando o ronronar deve preocupar? Se o som surge de forma repentina, constante, ou vem acompanhado de apatia, falta de apetite, isolamento ou mudanças de comportamento, é hora de procurar um médico-veterinário. O ronronar não é doença, mas pode ser um sinal de que o gato está tentando se curar — e os felinos são especialistas em esconder desconforto. Já um gato que ronrona pouco ou nunca, se for saudável e demonstre afeto de outras formas, não precisa de preocupação: isso pode ser apenas a personalidade dele.
Na Lígia e Seus Gatos, amamos cada barulhinho que os felinos fazem. O seu gato ronrona muito, ronrona só no colo ou quase nunca? Conte para a gente nos comentários e compartilhe este texto com outro tutor que adora entender o idioma secreto dos gatos. Quanto mais entendemos nossos felinos, mais fortes ficam os nossos laços.
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