Um estudo brasileiro publicado no início de 2026 acompanhou 188 gatos dentro de suas casas em Goiânia, em Goiás, e encontrou um número que chama a atenção: 28,7% dos felinos estavam acima do peso, sendo 20,2% com sobrepeso e 8,5% já obesos. O dado mais preocupante do levantamento, divulgado na revista científica PLOS One, é que a maioria dos tutores não percebe o problema: 71% subestimaram o peso dos gatos com sobrepeso e 75% não reconheceram a obesidade nos seus próprios gatos.
Por isso, o primeiro passo para cuidar é aprender a avaliar o corpo do seu gato em casa, sem depender só do olhar. A ferramenta usada pelos veterinários é chamada de escore de condição corporal, conhecido pela sigla ECC, uma escala que vai de 1 a 9. Um gato no peso ideal tem as costelas fáceis de sentir com uma leve pressão dos dedos, uma cintura visível quando observado de cima e a barriga levemente recolhida quando visto de lado.
Se você precisa pressionar com força para sentir as costelas, se a cintura desapareceu e a barriga parece arredondada e cheia, o seu gato provavelmente está acima do peso. Um ponto importante: a bolsinha de pele que balança na barriga do gato, chamada de papada primordial, é normal e não significa obesidade. A diferença está na gordura ao redor das costelas e da coluna.
Alguns fatores aumentam bastante o risco de engordar: gatos machos castrados, gatos de meia-idade, comida disponível o tempo todo no pote e uma dieta baseada quase só em ração seca. Estudos internacionais mostram que gatos que comem pelo menos 75% de ração seca têm até 2,4 vezes mais chance de ficarem acima do peso do que aqueles com dieta úmida, justamente por causa da densidade calórica e da menor saciedade.
O excesso de peso não é só estético: ele abre porta para diabetes tipo 2, resistência à insulina, lipidose hepática, problemas nas articulações, doenças de pele e doenças do trato urinário. A obesidade também encurta a expectativa de vida. Nos gatos, a perda de peso precisa ser gradual e acompanhada por um veterinário: jejum ou dieta radical podem desencadear uma doença grave no fígado, a lipidose hepática, que é perigosa justamente em gatos acima do peso.
A boa notícia é que a prevenção é simples e começa na rotina: meça a porção de ração indicada na embalagem em vez de encher o pote, divida a comida em duas ou três refeições com horário fixo, invista em comedouros quebra-cabeça e brinquedos interativos, e reserve pelo menos duas sessões diárias de brincadeira de dez a quinze minutos. Uma balança de cozinha ajuda a acompanhar o peso: pese o gato dentro de uma caixa uma vez por mês e anote os números.
Na Lígia e Seus Gatos, acreditamos que informação transforma a vida dos felinos e de quem cuida deles. Se este texto ajudou você a olhar para o seu gato com outros olhos, compartilhe com outros tutores e conte nos comentários como anda o peso e a rotina de brincadeiras do seu felino. Gatos saudáveis vivem mais e com muito mais qualidade de vida ao lado da gente.
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